10 planos (diferentes) para desfrutar da neve

Como cada 18 de janeiro, no domingo passado foi o Dia Mundial da Neve, uma festa que é celebrada por todo o alto em uma das principais estações de esqui. E é que a cada dia são mais os que se lançam a tentar a sua sorte calzándose os esquis ou prancha de snow e os esportes de inverno vão ganhando, pouco a pouco (talvez floco a floco) mais devotos. O esqui, o snowboard, as raquetes ou patinação sobre gelo são alguns dos mais comuns, mas, que tal se formos um pouco mais longe? Se listamos 10 atividades na neve que, se ainda não tentou, não pode deixar passar. Não se perca!


Atreva-se com o snowkitting

Um cara fazendo Snowkitting.

Foto: Getty Images.


Imagine voar sobre um manto de neve. Provavelmente é o que aspirar quando tentas saltar com os teus esquis ou com a sua prancha de snow, mas se quiser intensificar ainda mais essa sensação… apresentamos o snowkitting. A cavalo entre a snow e o kitesurfé um dos esportes mais arriscados e emocionantes que você pode praticar nas pistas de esqui. Uma asa de tracção fará com que surques a neve e se despertar, graças a ela, até alturas inimagináveis, sem deixar de fazer truques com a sua prancha. Como você se atreve? OClube Água e Neve oferece aulas nos Pirinéus e dos Alpes e em Ozone Portugal também tem informações sobre esta modalidade de kitesurf.


Apetece-Te uma noite em um iglu?

Interior do Hotel Iglu GrandValira.

Foto: Hotel Iglu GrandValira.


Pode ser que a idéia de dormir em um iglu, não parece, a priori, muito acolhedora… Mas quando você descobrir o Hotel Iglu GrandValira, em Andorra, certamente mudará de opinião. Se o que procura é uma escapadela pouco convencional ou um alojamento que surpreenda seus acompanhantes, este hotel, situado a 2350 metros de altura e totalmente equipado (dispõe ainda de um jacuzzi), é uma aposta certa.


Um passeio de trenó

Cães puxando um trenó.

Foto: Getty Images.


Você sempre sonhou em ser um explorador polar do tamanho de Jack conroy, baseado em Elefante Branco? Montgarri Outdoor te dá a oportunidade de acariciar, por um dia, o seu sonho. E é que esta empresa especializada em passeios na neve dá-lhe a possibilidade de percorrer o espetacular Vale de Aran em um trenó puxado por cães.


O suspiro dos cães, a neve salpicándote e a sensação de descobrir uma terra que vai fazer você se sentir em uma das cenas de Jogo de Tronos , sem sair de nossas fronteiras serão, com certeza, inesquecível.


…ou moto de neve

Um casal montado em uma moto de neve.

Foto: Gtres Online.


Se um passeio de trenó fará você se sentir como um verdadeiro explorador polar, um passeio em moto de neve fará com que a sua adrenalina disparar até limites insuspeitos. Em Andorra, motosdenieve.com oferece ainda passeios noturnos ou durante o pôr-do-sol. Turismo do Val d’Aran também oferece experiências motorizadas na neve em Pla de Beret e na Estação de Baqueira também dispõem desse serviço.


Teste com o esqui de fundo

Dois esquiadores de fundo.

Foto: Baqueira Beret.


E para os amantes do desporto e de colocar à prova o seu físico, o esqui de fundo é o esporte de inverno perfeito. Esta modalidade de esqui consiste em percorrem longas distâncias, com o objetivo de completar o percurso no menor tempo possível. Se realiza em terrenos lisos ou ondulados e na Espanha pode ser praticada, entre outras, o Centro de Esqui Nórdico Bergamo, na Estação Recreativa Porto da Ragua ou em La Pineta.


Entre teleférico e teleférico… Freixenet

Champanhe em um bar na neve.

Foto: Astún.


Os esquiadores mais gourmets estão de parabéns. E é que o Grupo Freixenet foi instalado, pelo segundo ano consecutivo, uma paragem de mais glamourosa e apetitoso, a estação de esqui de , e a sua oferta de Espumante, Champagne & Snow. Nesta ocasião, além de cava, oferecem champanhe, além de vinhos e até mesmo algumas delícias que ajudarão a entrar em calor e se refrescar os esquiadores. Você tem um encontro em Henri Abelé Lounge! Grão-de-bico com boletus e bacalhau, bombom de foie e presunto 5 jotas ou ravioli de camarão e molho de lagostins são alguns exemplos… Não se faz água na boca?


Ou, se preferir, Möet Chandon


Como em Astún, em Baqueira/ Beret também pode desfrutar de um delicioso gole de champanhe, neste caso, de Möet Chandon, em um intervalo entre teleférico e teleférico. Inaugurado no passado mês de dezembro, o Baqueira Beret/Moët Winter Loung está instalado em uma cabañita de madeira o mais aconchegante que te fará pensar se quer voltar ou não para a pista.


Um concerto a uma caminhada de pista?

Concerto na estação de esqui de Cerler.

Foto: Cerler.


A estação de Cerler, por sua vez, aposta por conjugar música e esqui e transformou seu café Remáscaro em um improvisado festival, a pé, de cabeça. O Cerler Live Music, que dá início a cada dia para as 15.30 e torna esta estação de Aramón em uma das mais engraçadas da nossa geografia.


Mergulho sob o gelo

Um submarinista.

Foto: Gtres Online.


E para os amantes de sensações fortes e de aventura, Mergulho Andorra oferece um plano tão gélido como irresistível: mergulho sob o gelo. Para desfrutar desta experiência original não é necessário, além disso, ter experiência prévia ou cursos de mergulho. Você vai perder a oportunidade de desfrutar de um dos submarinismos mais extremos?

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O bom de viajar sozinho

Em fevereiro do ano passado, Marina Menegazzo e Maria Jose Coni, dois jovens argentinos de 21 e 22 anos, foram assassinadas enquanto viajavam pelo Equador. Alguns meios de comunicação apontaram na crónica dos feitos que as meninas ‘viajavam sozinhas’, entendendo-se por ‘viajar sozinha’ fazê-lo sem o acompanhamento de um homem. O feminicídio destas duas meninas e o tratamento midiático que se deu fez com que muitas mulheres reivindicaran seu direito a percorrer o mundo livremente, acompanhadas ou na solidão, e a divulgação da campanha #ITravelAlone. Mas, o que diz de nossa sociedade que viajar só sendo mulher seja um ato revolucionário?


Às vezes, o Google e seus algoritmos têm a capacidade de refletir a sociedade, de fazer as vezes de espelho digital que plasma técnica do chiaroscuro do mundo contemporâneo. Assim, quando escrevemos na barra de busca “Tenho mais de 18 anos’, Google autocompleta ‘e nunca tive namorada’, mas quando ‘googleamos’, ‘Tenho 50’ anos faz o mesmo com ‘eu posso me aposentar’.


A lacuna de gênero, como não podia ser de outra forma, também fica patente na pesquisa desenvolvido por Larry Page e Sergei Brin. Se buscamos ‘Viajar sozinho’, o Google nos retorna o resultado padrão ‘barato’, enquanto que, se procuramos ‘Viajar sozinha’, há o próprio autocompletando ‘Tailândia’ e ‘Marrocos’, dois países para os quais se supõe que uma mulher não deve ir sem companhia. E por empresa, como acontecia no caso do tratamento mediático do feminicídio das jovens argentinas, entende-se companhia masculina.


O mesmo acontece com o conteúdo dos artigos recomendados pela plataforma de pesquisa. Se um homem recorre a ela em busca de conselhos para viagens e passeios solo (especificando o seu gênero com o-e final-, dar dicas sobre os destinos mais baratos, tours organizados ou plataformas para conhecer pessoas. Se, pelo contrário, é uma mulher que se identifica como tal na hora de pesquisar, vai encontrar uma infinidade de listas com os países mais seguros ou dicas para ‘superar os medos’ antes de embarcar em uma viagem em solitário.


Perguntamos Inês Nunes, co-fundadora do blog de viagens Random Trip, sua opinião a respeito.”Que tenha um monte de artigos sobre mulheres que viajam sozinhas diz-me, fundamentalmente, de duas coisas. A primeira, que será melhor, porque há cada vez mais mulheres que o fazem, e o fato de contar suas experiências incentiva outros a fazê-lo. Ao final viajar nos empodera e nos faz mais livres. Por outro lado, que tenha a necessidade de encorajar-nos a viajar sozinhas, reflete que ainda é visto como uma conquista. Uma mulher viajando sozinha é tema do que falar quando um homem viajando sozinho não. Provavelmente ele destacam-se as aventuras por que tem passado, e países que visitou… enquanto que a nós se nos perguntam muito por questões de segurança, medos, países mais adequados para fazê-lo…”


Mônica Hernandez, jornalista, repórter de ‘Comando atualidade’, autora do blog Missuniversos e co-autora de ‘Viajantes’, um manual elaborado por seis mulheres cuja paixão é viajar pelo mundo, nos conta das razões que leva anos viajando sozinha e incentiva todo mundo a fazê-lo. “Quando você se vai, sozinha, todas as situações são diferentes, tudo acontece com você, realmente, ir única: conhecer pessoas pelo caminho, que te ajudem a descobrir o lugar, que te falem de si mesmos… Se for com outras pessoas você se concentrar mais na empresa do que no que realmente você está vendo ou vivendo”.


Mas, quais são as situações embaraçosas viveram essas duas mulheres pelo fato de percorrer o mundo sem companhia? Mônica conta-nos que, realmente, não tem enfrentado nenhuma situação motivada por seu gênero, que não se possa dar também dentro de nossas fronteiras. “A vítima do machismo sinto-me em minha própria sociedade, em Portugal, na Europa, no Ocidente. Basta ver como ele trata as mulheres, nos anúncios publicitários, a linguagem que utilizamos, as diferenças salariais entre homens e mulheres, a violência de gênero… já vejo mais muito machistas ao meu redor que eu gostaria, sem mudar de casa”.


Os conselhos de ambas? Aplicar o senso comum, não como mulher, mas como pessoa. “Não faça nada que não faria se estivesse em seu próprio país”, aconselha Mônica Hernandez. Inês Nunes, por sua vez, recomenda a não carregar muito a mochila, deixar de lado os preconceitos e ser feito com um cartão SIM do país que se visita. E, se os testemunhos não fossem suficientes, ambas nos recomendam leituras viajantes para nos encorajar, definitivamente, a praticar o #TravelAlone: a biografia da aviador Amelia Earhart (recomendação da Mônica) e ‘A volta ao mundo em 72 dias’, de Nellie Bly.


Se você se interessa pelo tema, não perca a conferência TravelTalks: Viajo Sozinha, B The Travel Brand (Rua Miguel Ângelo, 33, Madrid). Será realizada em 24 de março às 19h30 e serão expostas as experiências de diferentes viajantes e as particularidades de viajar só sendo mulher. A fotógrafa fotógrafa Rosa Martinez, fundadora do coletivo ‘Viajo Sozinha’, dar passagem para os diferentes depoimentos e debates.